segunda-feira, 25 de julho de 2011

Os 12 livros básicos que você tem que ler antes do TPS


Os livros que temos que ler para o CACD são tantos que, às vezes, nos perdemos. Para ajudar um pouco, resolvi fazer esse post com indicações de 12 livros que devem ser lidos antes do TPS, NO MÍNIMO. 

Não se enganem, ler esses livros, apenas, não é o suficiente, no entanto pode ser bastante útil, pois são livros que servem de base para estudos posteriores e mais profundos. Além disso, para aqueles que estão começando agora, pode ser uma boa pedida começar com esses. Vamos lá?

1) História do Brasil - Boris Fausto
2) História da Política Exterior do Brasil - Amado Cervo e Clodoaldo Buenos
3) História das Relações Internacionais Contemporâneas - José Flávio Sombra Saraiva
4) Relações Internacionais do Brasil: temas e agendas vol. 2 - Antônio Carlos Lessa
5) A Era dos Extremos - Eric Hobsbawn
6) Direito Internacional Público: Curso Elementar - Francisco Rezek
7) Direito Constitucional Esquematizado - Marcelo Alexandrino
8) Gramática da Língua Portuguesa - Escolher: Celso Cunha ou Evanildo Bechara
9) Geografia para Ensino Médio - Demétrio Magnoli
10) Geografia: Pequena História Crítica - Antônio Robert de Moraes
11) Introdução à Economia (micro e macro) - Gregory Mankiw
12) Economia Brasileira Contemporânea - Amaury Patrick Gremaud

Saliento que esses livros NÃO esgotam as matérias cobradas no concurso, mas já dão uma boa base para estudos posteriores. Além disso, ao ler esses livros, o candidato estará familiarizado com a maioria dos temas cobrados na prova. Pode ser uma boa pedida.

Um beijo e bons estudos a todos,

Luiza

domingo, 24 de julho de 2011

Visita de Patriota à África: Pragmatismo, Multipolaridade Benigna e Reforma da Ordem.



O Ministro das Relações Exteriores, Antônio Patriota, está em viagem oficial ao continente africano. O Ministro esteve em Guiné-Bissau no dia 20, em Angola nos dias 21 e 22 e na Namíbia dia 23. O Chanceler visitará, ainda, a África do Sul no dia 24, e a República da Guiné no dia 25.

A missão do Chanceler é significativa, na medida em que é a primeira visita oficial de Patriota à África Subsaariana desde sua posse como Ministro das Relações Exteriores. Na agenda da missão de Patriota, estão presentes temas como democracia, cooperação sul-sul em âmbitos diversos, inclusive no combate à AIDS, comércio e estabilidade política nos países da região. A viagem pode ser percebida como demonstração da crescente relevância política e econômica que o Brasil vem atribuindo aos parceiros do Sul. 

Durante a visita, ocorreu, em Luanda, a Feira Internacional de Angola, que contou com a presença de 26 empresas brasileiras. O evento foi relevante, uma vez que Angola é um dos maiores parceiros comerciais do Brasil na África. Além disso, o Ministro esteve presente na XVI Reunião Ordinária dos Ministros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, no dia 22 de julho, também em Luanda, onde discutiu, com os demais ministros do países-membros da Comunidade, sobre a importância da língua portuguesa na ONU e nos Organismos Internacionais e sobre a relevância da cooperação entre os membros da CPLP nessas organizações.

Nessa cúpula, que contou com representantes de todos os países-membros da CPLP e, ainda, com representantes dos países associados, República da Guiné e Senegal, os Ministros congratularam-se pela adoção da Resolução 65/139 da Assembleia Geral das Nações Unidas, que aprofunda o relacionamento entre a ONU e a CPLP. Além disso, os Ministros ressaltaram a importância da continuidade do Plano de Ação de Brasília, que tem como objetivo a promoção e difusão da língua portuguesa, sobretudo como língua de trabalho em organizações internacionais.

A reforma do sistema das Nações Unidas também foi tema de diálogo entre os países da CPLP, sobretudo no que se refere à necessidade de uma representação permanente da África no Conselho de Segurança. Ainda na agenda, estavam, ainda, a importância do Grupo de Contato para Guiné-Bissau e a atuação específica para este país da Comissão para Consolidação da Paz das Nações unidas, uma vez que esses grupos vêm atuando para manutenção da paz em Guiné-Bissau.

A visita do Ministro ao continente africano pode ser percebida como demonstração do pragmatismo crescente da política externa do governo Dilma, que mantém boas relações com os parceiros tradicionais do país, como Estados Unidos e Europa, mas que busca incrementar o perfil das relações mantidas com os países do Sul, sobretudo aqueles do continente Africano e Asiático, e fortalecer a proposta de reforma da ordem.

Cada vez mais, a política externa brasileira pode ser percebida como instrumento para a implementação do que o chanceler Patriota chamou de "multipolaridade benigna". Por esse conceito, entende-se que a multipolaridade é uma realidade internacional desde o fim da Guerra Fria, mas não basta que ela exista, é preciso que ela seja benéfica aos países, sobretudo aos menos desenvolvidos. Missões como essas são de suma importância, na medida em que consolidam as relações do Brasil com parceiros do Sul e em que promovem a cooperação e o comércio entre os países. Nesse sentido, verifica-se a contribuição brasileira com a difusão das benesses que a multipolaridade pode prover. 


Fontes de informações:
- Sítio do Ministério das Relações Exteriores
- Sítio da Agência AIDS de notícias
- Folha de São Paulo

sábado, 23 de julho de 2011

Férias.



Queridos,

Estou de férias das aulas, graças a Deus. Confesso que estou precisando. Passado o TPS, tem sido um pouco difícil recuperar o ritmo de estudos, mas percebo que isso tem acontecido com a maioria de meus colegas, o que me deixa um pouco menos culpada rs.

É um pouco difícil recuperar o ânimo e as energias para aprofundar ainda mais em todo aquele conhecimento que já vimos antes. É, de fato, uma provação, um desafio que requer força de vontade e, sobretudo, muita humildade. Humildade para reconhecer que não sabemos tudo que achávamos que sabíamos e para estudar tudo, uma vez mais.

O estudo para a Carreira é prazeroso. Ele envolve conhecimentos múltiplos em áreas interessantes e coerentes. Tudo o que estudamos mantém uma relação em algum momento, o que facilita os estudos e torna-os muito atraentes. Apesar disso, a caminhada não é menos complexa. Exige-nos conhecimentos demasiadamente profundos, detalhes demasiadamente detalhados sobre os temas, o que, nem sempre, mede o real conhecimento dos candidatos. Por isso a humildade. Humildade para reconhecer que não saberemos tudo sempre e para reconhecer que, apesar de todo o nosso esforço, não podemos controlar o rumo das coisas. 

Aprendi, nesse último ano, que é fundamental ser autoconfiante, persistente, mas modesto. Nesse meio de estudos diplomáticos, sempre haverá pessoas que sabem mais que você, que estudaram mais que você e que irão melhor que você. É preciso perseverar e buscar o seu melhor, mas sempre com a consciência de que é preciso estudar para si, a fim de aprofundar seus conhecimentos, e não para provar seu conhecimento aos demais. Creio que é melhor ser uma pessoa discreta e ser bem sucedido na prova do que tentar provar seus conhecimentos em demasia e não suceder. 

Bom, é sobre isso que tenho refletido aqui, em férias, ao repor minhas energias e ânimos para, em breve, retornar à caminhada; no entanto devo confessar que trouxe alguns (muitos) livros comigo rs. No momento, tenho lido "A Era dos Extremos" em inglês e um pequeno livreto em francês sobre o Saint Empire Romain Germanique. Estou adorando ;)

Uma vez mais, agradeço ao carinho de todos os leitores. Não sei descrever o quão feliz fico ao receber os emails de vocês. Obrigada!

Um grande beijo,

Luiza 

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Discurso proferido pelo Ministro das Relações Exteriores Antônio Patriota no Conselho de Segurança da ONU sobre o Sudão do Sul

Olá gente,

Coloco aqui para vocês o discurso proferido pelo nosso Chanceler Patriota, no Conselho de Segurança da ONU, sobre a posição do Brasil em relação à independência do Sudão do Sul e em relação à entrada deste na Organização. O discurso está disponível no site do Ministério das Relações Exteriores (www.itamaraty.gov.br).

Acho que vale ler! Grifei as partes que acho que devem ser lembradas. ;)

Abraços.

Discurso do Ministro Antonio de Aguiar Patriota na sessão do Conselho de Segurança sobre o ingresso do Sudão do Sul na ONU - Nova York, 13 de julho de 2011


Mr. President,

I congratulate you for promoting this historic session on the recommendation for admission of a new Member State to the United Nations, the Republic of South Sudan.

I thank the Secretary-General for his briefing and extend my greetings to H.E. Mr Riek Machar, Vice-President of the Republicof South Sudan, as well as H.E. Mr. Ali Ahmed Karti, Minister of Foreign Affairs of Sudan.

In expressing its support for South Sudan’s application to UN membership, Brazil renews its historical and cultural bonds withAfrica as well as its commitment to the Continent’s economic, social and political development. We look forward to the promotion of solid relations with the South Sudanese authorities and people, which we believe will yield benefits to both our nations. Brazil is ready to cooperate with South Sudan in areas that may contribute to its sustainable development.

An important step was taken with the visit by the Brazilian Vice-Minister for African Affairs, representing President Dilma Rousseff in the Independence Day ceremonies that took place in Juba on July 9th, and the establishment of diplomatic relations that very day. Our representative was honoured to have participated in a historic event that reflected the self-confidence of the South Sudanese people, as they celebrated the hard-earned opportunity for building a brighter future.

Mr. President,

It is an honor for me to address the Security Council on an occasion for which the UN, including this Council, played a significant role. This accomplishment builds on a track record of involvement in the region, made of often creative and courageous undertakings: I recall, particularly, “Operation Lifeline Sudan”, which brought relief to many thousand of civilians in need. This operation, as Brazil understands it, is a lasting example of the concept of “responsibility to protect” put to use with a broader perspective, one that doesn’t necessarily involve military means.

Brazil presided over this Council in March 2005, when the United Nations Mission in Sudan (UNMIS) was established to assist the parties to implement the Comprehensive Peace Agreement. More recently, the Council held a session to welcome the peaceful conduct of the referendum in which the South Sudanese people chose to establish an independent State.

Today, we meet to celebrate the implementation of that decision. Tribute must be paid, first and foremost, to the two parties to the Comprehensive Peace Agreement.

The authorities and the peoples of the Republic of South Sudan and of the Republic of Sudan demonstrated political courage in working towards this moment. They proved wrong those who thought they could not work together for common goals. They remind this Council that it can discharge its responsibilities under the Charter through negotiated diplomatic solutions.

We must also recognize the leadership role played in the early negotiations by the Intergovernmental Authority for Development (IGAD) and the central role played by the African Union throughout the process that led to the Comprehensive Peace Agreement. The African Union has given proof of its ability to engage actors on a complex, lenghty process, one that tested the resilience of its institutions. We believe that the AU is an example of political integration that offers important lessons to other areas of the world; in South America, attention is certainly being paid to the African example by members of UNASUR.

Many other international actors, including NGOs, deserve credit for their contribution to the successful implementation of the referendum and the transition to an independent South Sudan.

Mr. President,

As we celebrate South Sudan’s independence, we must not forget the many challenges that still lie ahead. Brazil strongly encourages the leaders to settle their remaining differences through peaceful means and to put their long-term interests ahead of other considerations.

We encourage the Parties to redouble their efforts to reach agreements on all outstanding issues, particularly on the final status of Abyei, on settling the North-South border, on wealth-sharing arrangements and on the immediate and unconditional cessation of hostilities in South Kordofan.

Brazil believes that the vision of a democratically transformed Sudan can continue to inspire both countries. The leaders of South Sudan, who have endured a long struggle for autonomy, will certainly see the importance of ensuring that this achievement translates itself into improved living conditions for all South-Sudanese.

This perspective should also apply to the situation in Darfur. We welcome the Doha Draft Document for Peace in Darfur and its endorsement by the All Darfur Stakeholders Conference as positive steps. We commend the Government of Qatar and the AU-UN Joint Mediation Team for their efforts and will continue to support the parties in this process.

Mr. President,

As the Security Council stated last February, security and development are closely interlinked, and mutually reinforcing for attaining durable peace.

As both Sudan and South Sudan continue to face the challenges of nation-building, the international community should increase its support to both Juba and Khartoum.

We are glad to note that ECOSOC and the Peacebuilding Commission have started to consider how best to assist the Sudanese people. We are also pleased that Resolution 1996, which established the United Nations Mission in the Republic of South Sudan (UNMISS), envisages the kind of coherent and integrated support to post-conflict countries called for in Presidential Statement 4 of 11th  February last, adopted under Brazilian Presidency.

Brazil encourages those that have not yet done so to take steps to normalize economic relations with the Sudanese. We support calls for debt relief. We also urge all development partners to step up bilateral and multilateral support.  In the context of the IBSA group, BrazilIndia and South Africa are negotiating three cooperation projects that that we believe will benefit the people of South Sudan; the three countries also intend to work, within the framework of the IBSA Fund, with Sudan.

As part of Brazil’s renewed engagement with the African Continent, our relations with the Republic of Sudan have intensified in the past few years. Bilateral cooperation projects and private partnerships, which aim at developing the country’s potential in the area of agriculture, are underway. In 2009, Sudan became the first country in its region to produce and export ethanol with Brazilian technology. Other promising projects involve cotton and soya.

We are convinced that agriculture can also play a pivotal role in the future of South Sudan. As we are all aware, the country has immense potential in terms of land, climate, and human resources. In our bilateral meetings, the authorities of South Sudan have indicated that agriculture will be a priority. Given the potential of both countries, efforts towards promoting rural development in Sudan and South Sudan can benefit the whole Northeast of Africa, where food security remains a challenge.

Mr. President,

The independence of South Sudan is an event that evokes many of the traits in the African spirit which we have come to respect and admire: endurance, courage, patience. As the new nation embarks on a journey to build a free, democratic and peaceful home for its deserving people, South Sudan will need the active support of the United Nations and its individual members. Brazil looks forward to playing its part.

Thank you, Mr. President.

terça-feira, 12 de julho de 2011

Desabafo: nada a temer.



Oi gente,

Depois de muito tempo escrevendo apenas artigos impessoais sobre temas relevantes, resolvi dar um alô aqui e falar um pouco do aleatório. 

Algumas pessoas já vieram me perguntar por que eu tinha criado o Blog e por que eu me esmerava em dar dicas para aqueles que seriam, em algum momento, meus "concorrentes". Apesar de não ser a maioria das pessoas que faz isso, já me disseram que eu devia tirar o blog do ar, não dar dicas, etc. etc. Após uma vez, duas vezes, parei para refletir sobre isso... 

Engraçado, nunca vi esse Blog como ameaçador e seus leitores como "concorrentes". Vejo todos como colegas, companheiros com quem gosto de compartilhar informações, trocar ideias, dar e receber dicas. Adoro escrever, aqui, no blog, postar meus artigos, algumas ideias É um exercício legal até pra mim. Enfim, por que não fazer? Não há nada a temer.

De verdade, nunca pensei no blog desse jeito. Vejo aqueles que me leem e aqueles que me pedem dicas como futuros colegas, como pessoas que, assim como eu, querem fazer alguma diferença mediante a carreira diplomática. Creio que o caminho para a carreira é muito único, e eu fico muito feliz em poder ajudar, ainda que um pouquinho, nesse caminho, que é um pouco árduo de vez em quando.

Além disso, o blog também me ajuda. Há muito que ainda não sei e muito que ainda descubro, e fico muito feliz quando aqueles que frequentam esse espaço corrigem alguma informação, me mandam dicas por email, compartilham alguma descoberta. É uma via de mão dupla. 

Bom, é isso. Só queria dizer que adoro o blog e adoro os meus leitores. Obrigada por fazerem parte do meu caminho e me deixarem fazer parte do de vocês.

Um beijo,

Luiza 


domingo, 10 de julho de 2011

Sudão do Sul: independência e reconhecimento internacional



Ontem, dia 09 de julho de 2011, o Sudão do Sul proclamou-se independente. Esse evento põe fim a mais de 40 anos de guerra civil entre o norte e o sul do Sudão, que tinha conflitos, majoritariamente, em torno de questões referentes às crenças religiosas e aos recursos disponíveis na região. 

Durante os séculos XIX e XX, o Sudão foi dominado por egípcios e britânicos, e apenas conseguiu alcançar sua plena libertação dos ingleses em 1956, na segunda onda de descolonizações. País formado por cristãos e muçulmanos, o Sudão era importante fonte de matérias primas estratégicas.

Em função da proclamação da independência, iniciaram-se choques entre habitantes do Norte e do Sul,  entre os islâmicos e não islâmicos. Os conflitos localizaram-se majoritariamente na região Sul do país, em Darfur, região rica em Petróleo.

O conflito em Darfur deu-se, sobretudo, em função dos anseios por liberdade dos moradores dessa região. Especialmente após a imposição da Sharia (leis islâmicas rigorosas) no país, os habitantes do Sul, que são cristãos, ou fugiram ou iniciaram movimentos de rebeldia. Com isso, o conflito teve início. Forças do Norte entraram em choque com os rebeldes do Sul e levaram à morte de milhares de pessoas. O fato mais polêmico está em que o governo do país era Muçulmano e, logo, apoiava as forças de milícias que cometiam atrocidades contra os sudaneses do sul.

Em 2005, 12 anos após a deflagração de uma sangrenta guerra civil, foi assinado um Acordo Abrangente de Paz, que poria fim ao conflito e estabeleceria a paz entre os rebeldes do Sul e as forças governamentais e de milícias do Norte, no entanto as agressões continuaram a ocorrer, apesar do sucesso das negociações. Em 2005, também foi assinada a Constituição do Sudão do Sul, que previa a realização de um plebiscito em 2011, a fim de decidir sobre a soberania do país ou sua permanência dentro do Sudão.

Em janeiro de 2011, o plebiscito foi realizado e 99% da população local decidiu sobre a independência do Sul do Sudão em relação ao Norte. Na sexta feira última, o presidente do Sudão, Omal Al-Bashir, reconheceu a independência do Sudão do Sul e a proclamação oficial ocorreu ontem, dia 09 de julho de 2011. Destaca-se que, apesar da independência, as fronteiras entre os dois países ainda não foram totalmente definidas. 

Ressalta-se que, apesar de possuir grandes reservas de Petróleo, o Sudão do Sul nasce como um dos países mais pobres do mundo, por ter altas taxas de mortalidade infantil e de analfabetismo, sobretudo entre as mulheres. Apesar desses problemas, muitas pessoas originais da região que moravam no Norte estão voltando, a fim de estabelecer formalmente o vínculo de nacionalidade com esse novo país, uma vez que o governo de Cartum vem revogando a nacionalidade dessas pessoas. 

O Brasil saudou, prontamente, a independência do Sudão do Sul. O reconhecimento de Estado e de Governo do novo país pelo Brasil foi efetuado no mesmo dia, mediante o estabelecimento de relações diplomáticas, em conformidade com a Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas de 1961. O país reiterou, ainda, sua disposição em cooperar e em auxiliar o novo país a alcançar seu pleno desenvolvimento. 

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Aniversário de 20 anos da ABACC: uma história de sucessos e conquistas



No dia 18 de julho de 2011, a Agência Argentino-Brasileira de Contabilidade e Controle completará 20 anos de existência. Criada em 1991, mediante o Acordo de Guadalajara entre a República Federativa do Brasil e a República Argentina para o Uso Exclusivamente Pacífico da Energia Nuclear, a Agência tem como objetivo assegurar que as instalações nucleares nos territórios do Brasil e da Argentina sejam usados apenas para fins pacíficos que envolvam energia e pesquisa. 

A ABACC é marco importante no que se refere à cooperação entre Brasil e Argentina, pois permite a fiscalização mútua de instalações. Além disso, a agência é reconhecida internacionalmente por representar o uso responsável e pacífico da energia nuclear. Em 1991, mesmo ano da criação da agência criação, a ABACC e seus dois países criadores assinaram com a Agência Internacional de Energia Atômica, a guardiã nuclear da ONU, o Acordo Quadripartite, que assegura que os programas de ambos os países estão sob o sistema duplo de salvaguardas. Consequentemente, a fiscalização pelas duas agências funciona com base nos princípios das conclusões independentes, ou seja, ambas as agências avaliam as instalações brasileiras e argentinas e chegam a conclusões independentemente. Em caso de conflito, prevalecem as constatações da AIEA.

Recentemente, o Brasil, em função da existência da ABACC e do Acordo Quadripartite dessa agência e desse país com a AIEA e a Argentina, alcançou conquista significativa no que se refere ao regime internacional de desarmamento e não-proliferação. O Brasil, parte do Tratado de Não-Proliferação Nuclear desde 1998, e, também do Grupo de Supridores Nuclares, NSG desde 1996, sofria algumas limitações em relação à aquisição e transferência de tecnologias por não ser signatário do Protocolo Adicional do Tratado de Não Proliferação Nuclear, Protocolo esse datado de 1997 e que enrijecia as normas de fiscalização da agência internacional nas instalações dos países signatários. 

A conquista brasileira se deu em função do reconhecimento pelo NSG, em sua 21ª reunião em junho de 2011, de que a existência da ABACC como mecanismo de contabilidade e controle mútuo entre Brasil e Argentina e sua parceria com a AIEA são suficientes para assegurar o uso exclusivamente pacífico da energia nuclear pelo Brasil e para servir como critério alternativo ao Protocolo Adicional sugerido pela AIEA. 

Assim sendo, o Brasil terá acesso desimpedido às tecnologias sensíveis, uma vez que cumpre os mais elevados padrões de proteção física e de fiscalização de suas instalações, em conjunto com a Argentina, ABACC e AIEA.

A história da ABACC é permeada por conquistas não apenas no que se refere ao uso pacífico da energia nuclear e da parceria com a Argentina, mas também por tornar a agência e a iniciativa brasileiro-argentina um exemplo de sucesso que pode ser seguido em outras regiões do mundo, ao demonstrar que é possível criar modelos alternativos de controle igualmente que são confiáveis e comprometidos com a paz. 

terça-feira, 5 de julho de 2011

Itamar Franco: Homenagem e Retrospectiva



Recentemente, Itamar Franco, ex-presidente da República, faleceu. Itamar foi importante político brasileiro, que atuou não apenas como Presidente da República, mas como vice-presidente, como Senador e como Governador do Estado de Minas Gerais. 

Ao assumir a Presidência da República em 1992, Itamar Franco encontrou o país em delicada situação. O presidente de quem era vice, Fernando Collor de Melo, fora deposto por um impeachment e a situação política do país era complexa. Na política externa, Collor implementara importantes medidas, como a assinatura do Tratado de Assunção que constituíra o Mercado Comum do Sul, mas, ao mesmo tempo, cedera grande parte da autonomia decisória do país, sobretudo em assuntos econômicos, ao abrir demasiadamente os mercados nacionais, privatizar empresas brasileiras e implementar as medidas do Consenso de Washington. 

Itamar Franco e seu Chanceler Celso Amorim optaram por adotar uma vertente de política externa que estabilizasse a situação econômica nacional. As chamas "Polaridades Indefinidas" regiam sua atuação internacional em um mundo pós-Guerra Fria e pós-URSS. O importante não seria o alinhamento ideológico ou o ocidentalismo, mas em função das metas definidas para a PEB.

De acordo com Vigevani e Cepaluni, no governo Itamar, a redefinição dos objetivos a serem percorridos envolveu ativamente o Ministério da Fazenda sob a chefia de Fernando Henrique Cardoso, sobretudo quando a adesão a valores prevalecentes no cenário internacional era traduzida em ações em busca de estabilidade econômica. 

Durante a gestão Franco, o Brasil aderiu à Ata de Marakesh que criou a OMC em 1994 e consolidou a Tarifa Externa Comum do Mercosul mediante o Protocolo de Ouro Preto. Além disso, o país participou da Cúpula de Miami que discutiu pela primeira vez nas negociações da Área de Livre Comércio das Américas, a ALCA. Além disso, durante seu governo o Brasil finalmente ratificou o Tratado de Tlatelolco de 1967, que proscrevia o uso de armas nucleares na América Latina. Para Vigevani e Cepaluni, essa atuação brasileira consolidou a estratégia da "autonomia pela participação", que viria a se consolidar plenamente no governo Cardoso subsequente. 

No plano doméstico, Itamar Franco atuou politicamente desde antes da redemocratização do Brasil. Era político filiado ao MDB, partido da oposição ao ARENA, que era o partido de apoio ao regime militar. Após o retorno do pluripartidarismo em 1985, filou-se ao PMDB, partido que sucedeu o MDB, uma vez que não era permitido aos partidos manter o mesmo nome de antes.

O governo de Itamar Franco é lembrado por sua atuação na Constituinte de 1987, que confeccionou a Constituição Cidadã de 1988, por ter efetuado o plebiscito sobre a forma de governo do Brasil em seu governo, na qual venceu a República Presidencialista, e por ser o presidente responsável pelo lançamento do Plano Real, que efetivamente estabilizou a economia brasileira e lançou uma nova moeda com credibilidade suficiente para acumular as funções de reserva de valor, unidade de conta e meio de troca permanentemente. 

Posteriormente à sua presidência, Itamar atuou como Embaixador do Brasil em Lisboa, na OEA e em Washington. 

Apesar da curta duração de sua presidência, Itamar Franco tem uma história de vida que é indissociável da política brasileira e da luta pela democratização e estabilidade do país. O ex-presidente, ex-embaixador, ex-senador e ex-governador será sempre lembrado por nós com respeito e admiração por seus feitos como político e como homem.